GOTAS DE LUZ

CRÔNICAS E REFLEXÕES



CRÔNICAS E REFLEXÕES

 

Fotografias

Abro o guarda-roupa. Lá em cima, lá no fundo, pego os álbuns de fotografias. Começo a folheá-los. Nas mais antigas ainda sou um projeto, dentro da barriga de minha mãe, captando os sinais do mundo em que estava por chegar. Logo me vejo um bebê em meio ao jardim. Viro as páginas e ali estão muitos aniversários. O bolo na mesa, a criançada ao seu redor. As páginas vão passando e outros bolos aparecem, mas as crianças vão ficando maiores. É até engraçado, abro um sorriso. Os adultos lá estão mais jovens, mais magros, diferentes barbas, cabelos e penteados. E as fotografias vão passando, contando nossa história. Vejo a formatura do segundo grau, os antigos colegas, a tradicional beca, a entrega do diploma. Agora as páginas mostram os tempos da universidade. Passeios, aventuras, recordações. Ao virar as páginas o presente vai ficando cada vez mais próximo. Logo chego a uma foto que tirei ontem. E cá estamos no agora, o momento presente. A cada escolha vamos traçando nosso caminho. Que história as próximas fotografias irão contar? Como saber se faremos o certo ou o errado? Foi Sorte! Muita sorte! Ter alguém assim guiando meus primeiros passos. Foi realmente um grande privilégio. Caráter, bondade, equilíbrio. Toda a base e estrutura para encarar este mundo aprendi com você. As lições de Língua Portuguesa no primário... nunca esqueci. Conhecimento, justiça, todos os traços de minha personalidade têm raízes em você. E agora, do outro lado, é um grande prazer quando nos encontramos, Mãe Vera. É um privilégio saber que você está aí guiando e iluminando nossos passos. Como diz a canção: “Enquanto houver você do outro lado, aqui do outro eu consigo me orientar... Tua palavra, tua história, tua verdade fazendo escola, e tua ausência fazendo silêncio em todo lugar... Metade de mim agora é assim, de um lado a poesia, o verbo e a saudade, do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim...” (Trecho da música o Anjo Mais Velho - Composição de Fernando Anitelli)



Escrito por Beto Mendonca às 00h52
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O caso da samambaia

Nesta última festa promovida pela Igreja Matriz, ocorreu um caso interessante. Numa noite, depois de muitas rodadas de bingo acompanhadas de algumas cumbucas de virado de frango e arroz de carreteiro, encontrei-me com a Carmem, professora de Ioga. Sentei-me na mesa dela para jogar as últimas duas rodadas. Naquele momento seria sorteada uma bela samambaia. Enquanto alguém levava a planta até o palco, a Carmem disse: “Essa samambaia ia ficar linda lá em casa!”. Vendo sua vontade de ganhar aquele prêmio eu disse: “Então vamos ganhar essa samambaia!”. O vendedor se aproximou da mesa e compramos logo três cartelas para cada um. Começa o bingo. As pedras vão sendo marcadas e cada vez mais a emoção tomando conta das pessoas na mesa. De repente grito: “Bingo!”. A mesa toda vai à loucura! Corri lá pra frente com a cartela premiada, mas alguém mais havia batido e perdi na disputa pela pedra maior. Volto para a mesa e o pessoal naquele clima de “foi por pouco, quase”...

Passamos para a última rodada da noite. Eram três prêmios que não me lembro bem. O locutor canta a próxima pedra: “Letra G, número 51”. Bingo! Novamente o pessoal da mesa faz aquela bagunça de felicidade. Vou até o palco e ganho uma garrafa de vinho. Fim de festa, pessoal começa a ir embora. Eis que olho pro lado e vejo um rapaz passando com a tal samambaia. Viro pra ele e digo: “Não quer trocar o vinho pela samambaia?”. E ele topou. Corro até a Carmem segurando aquela planta: “Não falei que você ia ganhar a samambaia! Aqui está!” Ela ficou tão contente que o maior prêmio foi ver aquele sorriso e tamanha felicidade.



Escrito por Beto Mendonca às 00h51
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Um cachorro chamado Rex

Pelos pretos nas costas. Peito branco. Carinha marrom. Patas brancas. Em 1990, nascia em Campinas um cachorro da raça Fox Paulistinha que logo cedo veio para Ouro Fino e recebeu o nome de Rex. Por dezesseis anos ele andou pelas ruas da cidade, solto, percorrendo longas distâncias, mas sempre voltava para casa na hora de comer e à noite para dormir. Raspava a porta com sua patinha para avisar que tinha chegado. Espalhou vários filhotinhos pela cidade. Foi atropelado algumas vezes e até mesmo envenenado, mas sempre se recuperava e continuava sua vida boêmia.

O Rex gostava muito de passar na casa do meu avô. Ficava ali em frente e logo dava um jeitinho de entrar. Sempre ganhava alguma coisinha para comer, brincava um pouco e ia embora. Mas houve um dia que ele chegou lá de noite e a sala estava cheia. Entrou pela casa e percorreu diferentes cômodos. Logo ganhou algum pedaço de carne. Abriram a porta para ele sair, mas dessa vez ele sentou e não se mexeu. Deram uma ordem para ele ir embora, mas ele continuava imóvel. Foi empurrado para fora, mas lutou e correu para dentro novamente. Situação constrangedora. Era o dia do velório do meu avô. Há pouco tempo havia ocorrido o enterro. As pessoas tristes na sala observavam aquela situação inusitada. Foi aí que alguém de grande sensibilidade surpreendeu a todos ao se aproximar dele e calmamente explicar: “Olha Rex, o Vô Dito não está aqui. Ele não vai chegar. Ele morreu”. Ao acabar de ouvir essas palavras, o pequeno Fox Paulistinha se levantou bem devagar, olhou no rosto de cada um que estava na sala e lentamente saiu pela porta e foi embora.

Por mais seis anos o Rex brincou pelas ruas de Ouro Fino, até que finalmente se encontrou novamente com meu avô.



Escrito por Beto Mendonca às 00h50
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Do Pac Man à Internet

Como muitos que vieram ao mundo por volta dos anos de 1980, muito me divertia ao passar algumas horas diante do vídeo game chamado ATARI. O clássico jogo do PAC MAN – com gráficos formados de simples pontos, traços, quadrados e círculos – era um sucesso. Logo depois veio o MASTER SYSTEM. As aventuras eram um pouco mais elaboradas, ao invés de um botão, o controle passava a ter dois. Depois veio o MEGA DRIVE, com seus gráficos mais modernos e seu controle com três botões. Então veio o NINTENDO que logo passou a ser o SUPER NINTENDO – qual não foi a surpresa em poder jogar dentro de casa jogos que até então estavam nos fliperamas. Tudo parecia ainda mais real, lutas, corridas, aventuras. E o número de botões nos controles continuava a subir. Seis botões, sem contar o START e o SELECT, que elevavam esse número para oito. De repente surge uma novidade: o tal do COMPUTADOR. Era muito maior que os videogames e vinha até com uma “televisão” só pra ele. Ao invés de controle, vinha é com um teclado. Os até então oito botões passaram a ser um alfabeto inteiro, números, símbolos e comandos em inglês. Mas, contrariando as expectativas, seus jogos eram bem simples, e o mais impressionante que aquela máquina fazia era imprimir diferentes capas para trabalhos escolares. Quando o computador chegou a minha casa pela primeira vez, vislumbrado, curtia a possibilidade de escutar os CDs em suas caixas de som e pensando em utilizar aquela poderosa ferramenta para os estudos, gastei umas três horas para digitar poucas páginas de um resumo de Geografia. Os velhos trabalhos escolares eram agora digitados e impressos – grande novidade foi ter um corretor de texto que ajudava a não cometer erros de português. Mas ainda faltava alguma coisa. Eis então que chegam os comentários sobre uma tal de INTERNET. Na época, só um amigo dispunha de tal tecnologia e para isso precisava fazer uma ligação interurbana para se conectar. Era muita novidade, dava até pra conversar com pessoas de outras cidades. E a gente ainda podia inventar o nome que quisesse, criar a história de vida que nos viesse à cabeça. Dava pra usar também para os trabalhos de escola. Não mais era preciso ir até a biblioteca, agora a pesquisa aparecia bem ali na sua frente – era só esperar uns quatro minutos para cada página abrir. Logo depois, além de poder conversar com as pessoas desconhecidas, podíamos também cadastrar nossos conhecidos e conversar em tempo real no chamado ICQ. A primeira vez que vi na minha frente uma frase se formando letra por letra ao ser digitada, fiquei maravilhado. Com a intensificação das conversas, digitar ficou fácil. Agora tudo era escrito de forma muito rápida. Apareceram jogos mais bem elaborados para o computador, que passava a ser também o novo videogame. E além de tudo tinha outra novidade, em qualquer lugar que se estivesse, era possível telefonar para alguém. E quando demorávamos a dar notícia, podíamos ser achados em qualquer lugar: era chegado o telefone celular.

E isso tudo aconteceu há não muito tempo. Tudo acontece de forma gradual e sem mesmo percebermos, as mudanças já são incorporadas ao nosso dia a dia. Quais surpresas ainda estarão por vir?

 



Escrito por Beto Mendonca às 00h49
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Gentileza

 

José Datrino pintou, em 1980, 56 pilastras do viaduto do Caju no Rio de Janeiro com inscrições com mensagens de paz, propondo sua crítica ao mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização. Andando com uma túnica branca, longa barba e carregando um estandarte, distribuía flores e pregava a Gentileza como princípio das relações humanas. Figura mítica, ficou conhecido como Profeta Gentileza e por trinta e cinco anos anunciou: “Gentileza gera Gentileza”. Em 1996 suas inscrições foram apagadas. Marisa Monte, em sua música intitulada Gentileza, canta: "Apagaram tudo / Pintaram tudo de cinza / Só ficou no muro / Tristeza e tinta fresca."; "Nós que passamos apressados / Pelas ruas da cidade / Merecemos ler as letras / E as palavras de Gentileza". Graças a uma mobilização popular, iniciou-se um trabalho de restauração dos murais que foi concluído no ano 2000.

Essa mensagem, se posta em prática por um número cada vez maior de pessoas, certamente transformará nosso mundo em um lugar melhor para se viver. No trânsito, ao vermos que alguém está em uma situação delicada, precisando de um espaço para entrar com seu veículo a nossa frente, podemos acelerar e garantir nosso lugar pensando “cheguei primeiro, ele que se vire”, ou podemos dar uma pequena reduzida e sinalizar que ele pode entrar. Os ocupantes do outro veículo certamente ficarão agradecidos e nós teremos a agradável sensação de quando se pratica o bem. Ao ver na cidade um casal de turistas com uma máquina fotográfica em suas mãos, oferecer-se para bater uma foto do casal é uma gentileza. Desta forma, nas pequenas coisas do dia a dia podemos agir de forma a promover o bem, o respeito, a solidariedade.

O Natal está chegando. Além de momento de reflexão espiritual, é uma data que gera uma grande expectativa nas crianças. Todas esperam ganhar o seu presente. Mas muitas delas são de famílias que não têm condições financeiras para realizar tal vontade. Inúmeras são as cartas enviadas ao Papai Noel com seus pedidos. Os funcionários dos Correios selecionam as cartas e fazem um trabalho onde qualquer pessoa pode escolher uma cartinha para atender ao pedido da criança. Recebi um e-mail que divulga esse trabalho e ao final ele traz uma mensagem bem interessante: “A vida tem três fases – quando acreditamos em Papai Noel – quando deixamos de acreditar – e quando nos tornamos Papai Noel”.

Feliz Natal!

 



Escrito por Beto Mendonca às 00h48
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No Céu com o Senhor

 

            Poucos dias atrás, resolvi participar de um curso em Belo Horizonte. Local do curso já definido, endereço anotado. Local para hospedagem já acertado. Agora era só comprar a passagem do ônibus até a capital mineira. Um colega me informa que o tempo de viagem é de seis a sete horas. “Ummm aí fica difícil” – pensei. Lembrei-me dos pontos do cartão de crédito que desde 2007 vinha acumulando. Entro no site do banco para ver o saldo: 16.400 pontos. Mais uma rápida navegada pela internet e na Gol descubro que é o suficiente para emitir um bilhete de ida e volta para BH. Está decidido! O negócio é ir de avião!

O voo sai às duas da tarde. Como bom mineiro prevenido, chego ao aeroporto meio dia e meia. Logo vejo vários guichês da Gol e uma longa fila que se organizava por entre faixas laranjas, dando voltas em torno de si mesma para ficar mais compacta. Após uma hora e quarenta minutos ali, já tinha olhado mais de cinquenta vezes para o rosto de cada passageiro, para os atendentes nos guichês, para os painéis de avisos e vez ou outra me chamava a atenção algumas personalidades exóticas que por ali passavam. E eis que chega minha vez de ser atendido. Como sou muito alto e grandalhão, segui a dica da atendente dizendo que as primeiras poltronas eram mais espaçosas e marquei meu lugar logo na primeira fila.

Já faltando poucos minutos para embarcar, resolvi comprar uma garrafa de água sem gás e um Halls de cereja. “Nove e sessenta” – disse a balconista. “Puxa!!! Deve ser água francesa especial” – pensei. Paguei e apanhei rapidamente. Foi quando vi que era aquela boa e velha garrafinha de sempre. Corri para o portão de embarque. Caminhei pelo corredor e imaginava que ao ver a luz ao fim daquele túnel lá estaria uma imensa aeronave. Que nada. Estava ali um ônibus para levar o pessoal até o avião. E ele já estava bem cheio. O jeito foi arrumar um canto e segurar firme ali em pé.

Logo após subir as escadas da aeronave, tratei de ir até as primeiras poltronas. Realmente vi que o espaço para as pernas era um pouco maior que os demais bancos. Ao sentar percebi uma coisa estranha. O apoio de braço não levantava. Então percebi que havia sentado, mas que não estava tocando no acento. Estava é preso entre os apoios para braços. “Viajar uma hora aqui entalado vai ser dureza” – pensei. Aí tive a ideia de verificar se os outros assentos não tinham apoios que poderiam ser levantados. Por sorte encontrei uma fileira em que havia uma pessoa na janela e os outros dois lugares livres. Levantei o apoio para braço e aí foi um alívio. “Ufaaa, agora sim”.

Após a saudação do piloto e apresentação das medidas de segurança pelas aeromoças, o avião começou a manobrar para assumir posição de decolagem. Foi quando um passageiro lá na frente começou a repetir baixinho: “Oh Senhor, Jesus!”. Aí mais dois ou três também repetiam: “Oh Senhor, Jesus!”. Logo já eram umas quinze pessoas, repetindo bem alto: “Oh Senhor, Jesus!”. De repente aquelas palavras vinham de todos os lados, fora de ritmo, mas com toda força: “Oh Senhor, Jesus!”, “Oh Senhor, Jesus!” Percebi que o rapaz ao meu lado começou a ficar com medo, olhava tudo aquilo assustado. E em meio aos gritos de “Oh Senhor, Jesus!” as turbinas foram ligadas e o avião começou a disparar. Eis que o rapaz ao lado dá um grito: VAI SENHOR JESUS! SEGURA QUE É AGORA!!

Pensei: "Bom, pelo menos esse avião não vai cair. Não é possível!"

 



Escrito por Beto Mendonca às 00h46
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Décimo Segundo Natal

 

Acordo ouvindo a forte chuva. Raios iluminam meu quarto como se alguém me fotografasse. O forte barulho do trovão me tira da cama de vez. São seis horas da manhã. É preciso ser rápido para não perder o ônibus. Escovo os dentes e já entro no chuveiro. Meio que ainda dormindo deixo a água correr pelo meu corpo. Logo fico desperto. Aos doze anos, minha roupa é uma bermuda azul e camiseta branca – é assim que se vestem os alunos da escola. Tomo um copo de leite e como uma banana. Saio andando a passos rápidos até a esquina. Logo o ônibus estará chegando.

São quarenta minutos até o colégio. Encosto a cabeça na janela e olho para as casas e comércios. A cidade está começando a despertar, ainda são poucas as pessoas que circulam pela rua. É fim de ano, véspera de Natal. Lembro que no ano passado fiquei tão feliz em ganhar aquela bola. Foi o maior sucesso na escola, brincávamos todos os dias. Se o perna-de-pau do Zezinho não tivesse chutado ela por cima do muro ainda estaríamos jogando com ela. O que será que o papai me daria esse ano? Será que ao despertar no dia seguinte encontraria algum embrulho em baixo da cama?

A professora olha pro relógio. Já é quase hora do recreio. Pessoal sai da sala correndo e logo se forma uma grande fila para pegarmos a merenda. Pego meu prato de alumínio já torto de tantas crianças terem usado. Ganho minha porção de macarrão e como enquanto observo o corre-corre de outros colegas. Acaba o recreio e volto para as aulas. E lá se foi mais um dia. Hora de ir até o ponto de ônibus.

Atravesso a rua e antes de chegar ao outro lado sinto uma forte pancada e tudo se apaga. Abro os olhos. Que lugar estranho. Vozes ao fundo, pessoas andando pra lá e pra cá. Sinto dores por todo o corpo. Logo vejo que minha perna esquerda está engessada. Estou usando uma espécie de saia branca. Vejo alguns curativos nos braços e cotovelos. Uma moça se aproxima de mim. Ela diz que é enfermeira e que fui atingido por um rapaz que dirigia uma moto. Por sorte ele não estava muito rápido. Parece que ele quase não se machucou. Tentava me lembrar do momento do acidente, mas foi tudo tão rápido que não vi de onde ele veio. O que parecia ser mais um dia comum estava agora bem diferente. Logo chegaram meu pai e minha mãe. Ela me deu um abraço apertado com os olhos cheios de lágrimas e disse que tudo ia ficar bem. Apesar de sentir algumas dores eu estava tranquilo. Ouvi que teria que ficar sob observação. Não entendi bem o que isso significava, mas vi que naquela noite teria que dormir por ali mesmo.

Acordo com o quarto bem claro. É meio-dia. Não me lembro de ter dormido tanto assim. Me lembro que é Natal. Mesmo machucado, sentia aquele clima de fim de ano característico desta época. Lá em casa as comemorações sempre foram simples, mas eram momentos de grande alegria. Olho embaixo da maca para ver se encontro algum embrulho. Não há nada ali. Olho para o canto e vejo uma bicicleta prateada. Que coisa linda! Aquela era uma grande surpresa! Fico muito contente, mas não posso levantar da cama para chegar mais perto dela. A enfermeira entra e me diz que o Papai Noel havia passado por aqui naquela noite. Dou um sorriso e ela vai embora.

Podem chamar de Papai Noel, mas as vozes do outro lado do corredor eu conhecia muito bem. Meu pai e minha mãe. Quanto amor e carinho!



Escrito por Beto Mendonca às 00h45
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José Alencar

 Muito se fala de José Alencar, ex-presidente da República. Grande empresário, grande político, mas sobretudo, grande ser humano. Uma pessoa de alma limpa, pronto para fazer o que era preciso, sem reclamar, com muito bom humor. Está aí sua característica mais interessante: bom humor sempre.

Mesmo nos momentos de maiores dificuldades sempre se mostrou um homem de fé, calmo, aceitando os desafios que a vida nos coloca sem fazer grandes tempestades, sem lamentações ou revolta. Amor à vida – assim a imprensa brasileira caracterizou sua personalidade marcante. Competência, luta, bravura, honra, sabedoria – todas essas palavras descrevem este grande ser de luz que aqui esteve e muito bem cumpriu seu papel.

José Alencar fez muita coisa em vida – desnecessário citar aqui, a imprensa toda mostra agora seus grandes feitos e como contribuiu para as mudanças e melhorias da nação nestes últimos anos. Agora, com sua morte, mais transformações ainda ele irá nos trazer. Com seu exemplo inspirará toda uma nação com valores de integridade, honra, lealdade, bom humor, alegria – uma nova geração de políticos há de chegar em breve e o exemplo desse grande ser humano há de ser seguido.

José Alencar – missão cumprida! Parabéns! Agora aí do outro lado continue dando uma mãozinha para nosso país. Sua luz estará sempre conosco.



Escrito por Beto Mendonca às 00h43
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A história de Alê

 

          Conversando com uma amiga hoje, soube de sua vida e achei muito interessante. Pedi permissão a ela para escrever sua história.

Tempos atrás, Alê trabalhava como costureira. Ela é evangélica. Em suas orações, disse a Deus que seu sonho era ser massagista. Ela conversava com Ele e dizia que se aquele realmente fosse o seu caminho, que estava disposta a servir. Se não fosse, que Ele afastasse isso dela. Pouco depois, uma mulher que havia trabalhado como massagista encontrou com a Alê na rua e disse que nas suas orações, havia sentido em seu coração que deveria passar seus equipamentos e materiais para ela. Neste primeiro momento, não foi combinado nada quanto a valores. Alê pediu um tempo para pensar.

Logo em seguida, sua irmã convidou um amigo que já tinha experiência nesta área para vir à cidade e ensinar as primeiras noções das técnicas de massagem. Ao encontrar com ele, Alê se surpreendeu quando ele olhou para suas mãos e disse: “esses dedos curtos são perfeitos para massagem”. Neste momento uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Ela carregava certo trauma em seu coração desde pequena, pois ao não conseguir fazer alguma coisa, ouvia que não conseguia fazer porque tinhas os dedos curtos. Aquilo foi uma cura para seu coração. Sentiu grande alegria vendo que estava no caminho certo.

Alê resolveu aceitar os equipamentos. E foi praticando... As pessoas gostavam de sua massagem. Seu sonho de montar o salão de massagem ficava mais próximo. Mas havia um pequeno detalhe: como arrumar dinheiro para pagar pelos equipamentos? Então sua mãe conseguiu um empréstimo no banco, com a ajuda de um amigo que aceitou ser o fiador. Agora era pagar em dia as prestações ao banco.

No dia de pagar a primeira prestação, havia juntado algum dinheiro, mas o valor era insuficiente. Sua família iria pagar uma conta em uma loja de materiais de construção. Alê teve a ideia de ir até a loja, pagar parte daquela conta e deixar a parte restante para alguns dias mais adiante, quando conseguiria mais alguns clientes e teria o dinheiro. Pegou então a parte não utilizada no pagamento e juntou com o dinheiro que seria usado para pagar a primeira prestação do empréstimo. Pronto, a primeira etapa estava quitada.

Os dias passavam e se aproximava o dia para pagar o valor restante na loja de materiais de construção. Mesmo sem ter o dinheiro, Alê agradecia a Deus em saber que aquele recurso viria de alguma forma. Sua fé era inabalável. No dia em que deveria pagar o restante, bateu na porta de sua casa a funcionária da loja. E entregou para Alê o recibo já pago daquela conta. A funcionária disse que sentiu em seu coração, durante suas orações, que deveria pagar aquela conta. Mas ela também não tinha dinheiro para isso. Sentiu então que deveria ir até o banco. Ela possuía uma conta-poupança que não usava há tempos. Havia deixado apenas cinco reais nela. Ao tirar o extrato, viu que o valor em sua conta era exatamente o valor restante a ser pago na loja acrescido dos cinco reais. (A pergunta “de onde veio esse dinheiro” veio à mente naquele momento. Talvez alguém transferiu por engano, talvez seguindo seu coração, talvez... talvez...). A funcionária disse para a Alê que ela devia perguntar a Deus por que Ele fizera isso. Alê conversa com Deus (assim ela descreve seus momentos de oração, com muita intimidade com Ele). A resposta vem em uma passagem da bíblia, que resumindo bem, dizia que Ele cuidaria de prover os recursos materiais que fossem necessários.

Aproximou-se o dia do pagamento da segunda prestação. Alê contava em receber um pagamento, mas esse não ocorreu. Houve uma discussão com um de seus familiares, em que lhe foi dito que ela não conseguiria pagar o banco. Alê fechou-se sozinha e pôs-se a orar. Ela continuou firme em sua fé e chegou a dizer para si mesma: - eu acredito que esse dinheiro vai vir nem que seja num envelope escrito “De: Jesus para Alê”. Poucos dias depois, em seu serviço como costureira, recebeu uma carta. Achou estranho, pois não costumava receber correspondências naquele endereço. Ao olhar para o envelope começou a chorar. Chorava de alegria. Suas colegas vieram para ver o que havia acontecido. Ela contou a situação que vivia. Pegou o envelope e lá estava escrito: “De: Jesus para Alê”. Abriu o envelope e lá dentro estava o valor exato da prestação a ser paga. O pessoal se surpreendeu. Alê comentou que o que a emocionou foi o que estava escrito fora do envelope e não o seu conteúdo. Uma colega diz: “ Alguém mandou este dinheiro.” Alê respondeu: “Pode ter sido através de alguém. Mas acredito que pode ter sido diretamente. Deus poderia mandar um anjo aqui trazer esse dinheiro. Mas as pessoas não iam dar conta de ver um anjo com suas asas, então ele pode ter vindo na forma de uma criança.” Imediatamente alguém disse: “Eu duvido”. Nesse momento desceu a escada a pessoa que recebeu a correspondência. Perguntam quem havia entregado a correspondência e ela respondeu: “Uma criança entregou o envelope na minha mão. Fui ver o que era e logo a criança saiu pela porta. Depois olhei e ela não estava mais por lá.

O dia do pagamento da terceira parcela com o banco se aproximava. Uma cliente, que ainda nem havia acabado de utilizar a quantidade de massagens e que já havia pagado seu pacote, resolveu antecipar o pagamento de um novo pacote. E lá veio o valor exato da prestação.

Para o pagamento da quarta parcela, o dinheiro já estava ali, pronto para ser levado ao banco no dia seguinte. Um de seus familiares pediu para que ela pagasse a conta de água, no valor de cinquenta reais. Alê reagiu dizendo que o dinheiro era para pagar o banco. “Manda seu Deus pagar para você”, foi a resposta que ouviu. Ela, sempre firme em sua fé, foi e pagou a conta de água. Nesse mesmo dia bateu a sua porta uma mulher que ela nunca havia visto. Ela disse que Deus mandou que entregasse um recadinho para ela. Entregou em sua mão um pedaço de papel amassado, e pediu que abrisse só depois que ela fosse embora. Alê esperou que ela saísse, pegou o papel e o abriu. Estava em branco, mas, dentro dele, uma nota de cinquenta reais.

            Alê me contou outros acontecimentos, todos muito interessantes. Vi que independente da religião, que independente do nome que é dado para as coisas (que costumam variar muito, mas que em sua essência possuem o mesmo significado), independente de qualquer coisa, é realmente incrível o que pode fazer alguém com o coração cheio de Amor e Fé.

 



Escrito por Beto Mendonca às 00h42
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